Seria mais um caso de abdução?

Foi difícil até para os bombeiros.
"Na parte que eu escolhi para subir, que é o caminho mais viável, tornou-se difícil, porque a pedra formava uma barriga e eu não tinha onde me segurar", explica o sargento José Hilton, do Corpo de Bombeiros.

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Mesmo para os experientes bombeiros que estiveram no local, como os sargentos José Ailton e Caldeira, o fato não tem uma explicação lógica. Segundo eles, o acesso ao topo da pedra é extremamente difícil, até mesmo com o uso de equipamentos.
Os moradores da região asseguram que seria praticamente impossível subir na pedra sem recursos técnicos para fazer a escalada. "Só Deus sabe como ele foi parar lá", comentou o motoboy Claudecir Berti, sobrinho do pedreiro.

Entre o barraco onde o lavrador dormiu e a montanha, que fica na propriedade do irmão dele, existe uma mata fechada. Mas se Odair estava dormindo, como é que não acordou ao passar por lá? Ele mesmo acha esquisito.
"Como é que um cara vai sair correndo, de noite, num lugar desses, sem menos nem mais, sem tropeçar numa árvore, sem nada?", pergunta o lavrador Odair Berti.
E o lavrador foi muito mais longe… Deixando a mata para trás e chegando à base da pedra, a gente percebe o grau de dificuldade de se fazer uma escalada assim. A superfície é lisa e à medida que vai ficando mais alto, o paredão vai ficando mais íngreme.Quem chamou o resgate foi o agricultor Claudeci Berti, o irmão de Odair. Ao chegar à plantação, ele ouviu o berro. Ecoou longe. O irmão quase não acreditou.
"Assustei quando eu cheguei perto. Fui ver o problema, Falei ‘Nossa senhora’”, conta o agricultor.
Mesmo equipados com cordas e equipamento de segurança, os bombeiros demoraram nove horas para resgatar Odair. Eles tiveram que rodear a montanha, escolher outro caminho, muito mais longo, para chegar ao lavrador.
"Usamos quase 200 metros de corda para chegar ate o ponto onde ele estava, e com equipamento, para fazer a descida dele", explica o sargento Rogério Caldeira.
Se o lavrador estivesse acordado, querendo subir a montanha, chegaria aonde chegou? "De chinelo de dedo, de bermuda, sem equipamento e sem a técnica, não chega não. Mas ele chegou. É no mínimo estranho", comenta explica o sargento Rogério Caldeira.
A médica Dalva Poyares, especialista em sono, explica que o sonambulismo é um distúrbio que ocorre numa fase específica do sono, a chamada "fase de ondas lentas". Nessa fase, “existe um estímulo para o indivíduo despertar, só que a pressão do sono é grande porque o sono de ondas lentas é uma das fases profundas do sono. Então, ele fica no meio do caminho. Ele não tem noção da realidade, só que ele pode se locomover. Então, obviamente, ele não tem noção nenhuma do perigo, nem aquelas noções que a gente tem do que deve e não deve fazer”, diz a médica.
Ao saber da aventura noturna de Odair, a médica diz que o lavrador pode também sofrer de outro distúrbio do sono, em que a pessoa, dormindo, realiza as ações de um sonho.
“Por exemplo, se eu estou sonhando que estou perseguindo um ladrão, eu vou correr atrás de um ladrão, tentar sacar algum objeto. Se sonhar que está lutando com alguém, eu vou lutar”, alerta Dalva Poyares.
Quando foi resgatado, o lavrador estava fraco, desidratado. É o outro lado dessa história curiosa, que poderia ter acabado em tragédia. Odair agora tem medo: “Do jeito que aconteceu agora, isso pode acontecer de novo".
Para a especialista Dalva Poyares, casos de sonambulismo que se repetem, por mais leves que sejam, precisam de avaliação médica e medidas de segurança.
“As medidas de segurança principais são: proteger o ambiente de dormir, a janela tem que ter obrigatoriamente uma rede de proteção, no mínimo, ou grade, o que for”, enumera.
Objetos cortantes e pesados precisam ser retirados do alcance do sonâmbulo, assim como as chaves da casa. E atenção: “Até 40% das crianças podem uma vez na vida manifestar um evento de sonambulismo”.
Dormindo, o pequeno Marlon, de 6 anos, já desceu e subiu as escadas da casa. Recentemente, bateu a boca e a cabeça debaixo de um móvel.
“A gente não sabe nem se dorme ou se toma conta dele”, conta a mãe de Marlon, Iraci Bispo.
Sonâmbulo ou não, o que se pode concluir com certeza, é que ninguém poderia chegar a tal lugar sem os devidos equipamentos para alpinismo.

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